COVID-19: literatura, companhia e terapia Por Arruda Bastos (*)

A literatura é companhia essencial a todos que despertam para a sensibilidade, a curiosidade, o espírito inquieto, a vontade de viver muitas vidas em uma só, de sair do transe das disputas materiais do dia a dia, de vencer a aparência e mergulhar na essência, de desvendar os infinitos universos contidos no ser humano.

Viver a literatura é um exercício de, como disse Van Gogh, “tocar as pessoas com a arte, fazê-las ver que sentimos melhor, mais intensamente e com mais ternura”.

Não por acaso, existem tantos médicos escritores, em todo o Brasil. A sensibilidade para a literatura vem em grande parte da nossa prática diária. Esse contato com a linha tênue que separa a vida da morte, o sofrimento, o contraste da alegria da vida que nasce e do desespero de outra que se acorrenta a uma doença terminal…

Um ano e meio de pandemia depois, a literatura também vem se revelando importante caminho para o cuidado com aqueles que têm o desafio de cuidar de outros.

Os médicos que são também poetas, cronistas, contistas, romancistas, memorialistas, pesquisadores literários, entre outras formas de amar e viver a literatura, se organizam por meio da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames) e de suas regionais estaduais.

Esse movimento rende novos frutos a cada ano. Nos tempos extremos que vivemos e com o acentuar dos desafios provocados pela Covid-19, a literatura ganhou ainda mais importância. Além de nos ensinar a criar mundos no mundo, de nos tornar pessoas melhores, literatura é, também, saúde mental.

Agora, um grande encontro dos colegas dedicados à arte das palavras se aproxima. Organizado pelo Ceará, o XXVIII Congresso Brasileiro de Médicos Escritores acontece 100% online, entre 4 e 7 de setembro, com prêmios literários, conferências, cursos, homenagens e lançamentos de livros.

Com apoio da Unichristus e do Governo do Estado, edital da Casa Civil, também movimenta a economia. “Brilho da Literatura na Terra da Luz” é o lema do encontro, que será aberto com Antônio Carlos Secchin, da Academia Brasileira de Letras.

Estamos de braços escancarados para receber a todos, virtualmente.

(*) Raimundo José Arruda Bastos é médico e professor da Unichristus. Presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/9/2021. Opinião. p.18

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